03/05/2019

Não estamos polarizados politicamente: É que os moderados fogem dos radicalismos

Redação do Diário da Saúde
Não é que estamos polarizados: É que os moderados fogem dos radicalismos
Pesquisadores dizem que o Facebook é um espelho e o Twitter é um megafone - mas será que o Twitter realmente molda a opinião pública?
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Caminho do meio na política

Está havendo um vazio importante nas mídias sociais: as pessoas que adotam o "caminho do meio", aquelas que não aderem à chamada "visão binária" da política, onde só se pode estar em pontos extremos - algo como "ou você está comigo ou está contra mim".

Particularmente o Twitter, preferido por líderes como Donald Trump e Jair Bolsonaro, se tornou um lugar de destaque para expressar opiniões em ambos os extremos do espectro político.

Com isso, as vozes das pessoas que estão no meio, com uma visão mais equilibrada ou mesmo menos interessadas na política, acabam sendo sufocadas em meio ao barulho político dessas visões extremadas.

Enquanto os usuários militantes formam redes sociais altamente partidárias no Twitter, os usuários moderados - ou aqueles menos engajados politicamente - acabando fugindo ainda mais da política, potencializando um vazio importante nas mídias sociais e dando a impressão de uma radicalização na política.

"Nós não estamos necessariamente nos distanciando cada vez mais - o que ocorre é que as pessoas no meio estão se tornando mais caladas e retraídas. Se você não considera todas as pessoas no meio que não se importam tanto com a política, parece que existe uma divisão mais clara quando não existe, então a mídia social pode estar criando artificialmente esse sentimento de que estamos nos tornando mais polarizados," disse o professor Michael Kearney, da Universidade de Missouri (EUA).

O resultado não poderia ser pior. Em vez de aumentar a exposição a pontos de vista diversos ou defender os usuários contra bolhas de auto-reforço das próprias opiniões, as mídias sociais simplesmente amplificam e refletem as tendências de cada espectro.

Polarização na política

Usando um software que ele próprio criou, Kearney examinou as redes de usuários de 3.000 seguidores aleatórios de contas bem conhecidas, algumas partidárias e outras voltadas para o entretenimento. Os dados foram coletados ao longo dos seis meses que antecederam a eleição de 2016 nos EUA, começando logo depois que Hillary Clinton e Donald Trump se tornaram os dois finalistas na corrida presidencial.

Kearney constatou que, à medida que a eleição se aproximava, os democratas seguiam mais os democratas, os republicanos seguiam mais os republicanos, e os moderados não expandiam muito quem seguiam em qualquer um dos lados do espectro político.

"O Twitter nos permite conectar com muitas pessoas e obter acesso a informações, mas os usuários não devem presumir que as informações sejam representativas ou um reflexo preciso do público. Sempre que usar o Twitter ou qualquer tipo de mídia social, é importante checar e validar as informações que você está recebendo," disse Kearney.


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