02/07/2020

Meditação pode ajudar a trazer a paz e curar divisões sociais

Redação do Diário da Saúde
Meditação pode ajudar a trazer a paz e curar divisões sociais
A descoberta de que a meditação em grupo reduz a violência social precisa ser divulgada, dizem pesquisadores.
[Imagem: Maharishi Vedic University/Cambodia]

Meditação pela paz

Um estudo após o outro tem mostrado que a meditação pode criar paz para o indivíduo. Ainda menos reconhecido é o fato de que a meditação, principalmente em grupo, pode fazer o mesmo pela sociedade.

Barry Spivack e Patricia Saunders, da Universidade de Denver (EUA), resolveram explorar qual é o mecanismo que faz com que práticas aparentemente isoladas possam ter efeitos de longo alcance.

Para isso, eles resolveram examinar todas as pesquisas científicas revisadas por pares já publicadas sobre o assunto.

A meta-análise confirmou as conclusões de que a meditação transcendental pode influenciar a consciência coletiva da sociedade, levando a reduções nos crimes violentos e fatalidades na guerra, e a aumentos na qualidade de vida e na cooperação entre as nações.

A novidade é que eles encontraram indícios de que o nível de ansiedade e tensão coletivas na sociedade, ou a "incoerência na consciência coletiva", é o elemento-chave desse resultado de longo alcance da meditação.

Os resultados são tão impressionantes que a dupla achou que apenas mais um artigo científico não seria suficiente para divulgar o peso e a importância dessas conclusões. Por isso, eles decidiram lançar um livro, que eles intitularam "Um Antídoto para a Violência: Avaliando as Evidências" (ainda não lançado no Brasil).

Alcance social da meditação

Barry Spivack e Patricia Saunders descrevem como um aumento das tensões coletivas se espalha pela sociedade, levando a um aumento da agitação social, dos crimes, da violência, das mortes acidentais e até das emergências hospitalares.

Meditação pode ajudar a trazer a paz e curar divisões sociais
Uma das técnicas mais praticadas no ocidente é a Meditação da Mente Alerta.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Eles examinaram 20 experimentos revisados por pares, todos de grande envergadura e realizados ao longo de mais de quatro décadas. A conclusão geral desses experimentos é que é possível neutralizar ou reduzir o estresse na consciência coletiva através da prática da meditação transcendental por um número suficiente de indivíduos - garantido o tamanho mínimo do grupo, os efeitos da meditação são amplificados para a sociedade.

Cada um desses experimentos analisados consistia em números suficientes de meditadores isolados ou em grupo, por um período de semanas ou meses e, em alguns casos, anos, em sociedades assoladas pela violência, como foram os casos dos 93 dias experimentais no Líbano entre 1983 e 1985, no Camboja entre 1990 e 2008, e nos EUA entre 2007 e 2010.

Em todos os casos, os indicadores de violência foram comparados com os quatro anos anteriores nos mesmos locais. E, em todos os casos, ocorreram quedas significativas na violência durante os períodos em que o número de meditadores era alcançado ou ficava acima do limiar previsto.

Evidências dos efeitos da meditação

A dupla garante que os resultados fornecem evidências consistentes com uma interpretação causal.

Estabelecer causalidade nas ciências sociais é difícil. "No entanto," disse Spivack, "existem pelo menos seis razões pelas quais a pesquisa fornece evidências para a hipótese de que a meditação transcendental reduz conflitos e divisões na sociedade e melhora o desempenho econômico, o que é consistente com uma interpretação causal".

Veja as seis razões:

  • 1) Repetição: São 20 estudos revisados por pares, que mostram resultados estatisticamente significativos.
  • 2) Há um efeito de dosagem - quanto maior o grupo de meditadores, maior o impacto.
  • 3) A variável independente - o número de pessoas que praticam a meditação - frequentemente varia aleatoriamente nos experimentos, de forma que se obtém um efeito repetido no mesmo experimento sempre que o limite relevante de meditadores é ultrapassado no mesmo estudo.
  • 4) Os estudos controlaram outras causas possíveis de mudanças sociais, como densidade populacional, média de anos de escolaridade, renda per capita, proporção de policiais por população, clima, feriados, estações do ano e eventos políticos, além de porcentagens de pessoas na faixa etária 15-29 anos, desempregadas, abaixo da linha da pobreza e com mais de 65 anos.
  • 5) Variáveis normalmente não conectadas, como crime, mortes acidentais, mortalidade infantil e mortes por opioides, todas se movem na mesma direção ao mesmo tempo em que é ultrapassado o limiar relevante das pessoas que praticam a meditação.
  • 6) A variável independente - os números de praticantes da meditação e seus programas avançados - muda antes que as variáveis dependentes sejam alteradas, como mortes por crimes ou guerras ou o índice de miséria.

Com tantas evidências, não é de se estranhar o fato de que alguns cientistas já defendem que a meditação deveria ser ensinada nas escolas.


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