21/02/2019

Médicos não estão sabendo receitar antidepressivos, dizem especialistas

Giovanni Andrea Fava/Carlotta Belaise - Universidade de Bologna
Médicos não estão sabendo receitar antidepressivos, dizem especialistas
Há muito se sabe que os antidepressivos podem causar dependência e sintomas de abstinência. Mais recentemente se descobriu que há subtipos da depressão que não respondem aos antidepressivos.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Desmame de antidepressivos

Os problemas que os pacientes enfrentam ao interromper os medicamentos antidepressivos têm recebido bastante atenção da mídia. No entanto, parece haver poucas indicações desses problemas, particularmente nos protocolos médicos e nas revisões científicas.

Em um artigo publicado na última edição da revista médica Psychotherapy and Psychosomatics, Giovanni Fava e Carlotta Belaise, da Universidade de Bologna, analisam dados que podem orientar a descontinuação dos antidepressivos - algo que os médicos costumeiramente chamam de "desmame".

Segundo os dois especialistas, os danos de uma falta de conhecimento dos médicos sobre o assunto são difíceis de superar.

Os antidepressivos são medicamentos importantes e potencialmente salvadores, desde que os receituários se baseiem em indicações apropriadas. No entanto, o médico prescritor está atualmente se fundamentando em uma consideração superestimada dos benefícios potenciais, com pouca atenção à probabilidade de responsividade e negligência da potencial vulnerabilidade aos efeitos adversos do tratamento.

Um uso racional de antidepressivos, que incorpore todos os potenciais benefícios e riscos, consiste em direcionar sua aplicação apenas aos casos mais persistentes de depressão, limitando seu uso ao menor tempo possível e reduzindo sua utilização em transtornos de ansiedade (a menos que um transtorno depressivo maior esteja presente ou outros tratamentos foram ineficazes).

Uma vez que a toxicidade comportamental parece estar relacionada com as dosagens dos antidepressivos, deve ser empregada a dose mais baixa destes agentes que pareça ser eficaz e bem tolerada.

Estratégias de reforço (isto é, a adição de novos psicotrópicos ao tratamento) precisam ser cuidadosamente ponderadas, se não evitadas, devido à sua forte ligação com a toxicidade comportamental.

Deve-se estar particularmente preocupado com pacientes jovens que recebem antidepressivos para transtornos de ansiedade e que prolongam esse tratamento indefinidamente sem passar por qualquer forma de psicoterapia. Qual será o resultado a longo prazo dessas perturbações? A tolerância irá se desenvolver e desencadear a deterioração e a refratariedade?

De acordo com os dois autores, chegou o momento de iniciar pesquisas sobre os fenômenos de abstinência relacionados aos antidepressivos e redefinir o uso e as indicações desses medicamentos, incluindo sua probabilidade diferencial de induzir toxicidade comportamental.

Estas e outras considerações fazem parte de seu artigo, intitulado Interrompendo Medicamentos Antidepressivos: Lição de um Ensaio Clínico Fracassado e Ampla Experiência Clínica, disponível (em inglês) no endereço www.karger.com/Article/FullText/492693.


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