04/05/2019

Líder em educação, Cingapura volta-se às emoções dos estudantes

Com informações da Agência Brasil
Líder em educação, Cingapura volta-se às emoções dos estudantes
A parte emocional é tão importante que os estudantes tiram notas melhores apenas por acreditar que vão tirar notas melhores.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Mão e contramão

Enquanto o governo brasileiro opta pelas questões ideológicas, cortando verbas da educação e questionando as ciências humanas, o quadro é bem outro em Cingapura, destaque em avaliações e rankings educacionais internacionais.

Depois de alcançar a excelência na qualidade do ensino, o país asiático agora quer ultrapassar as notas altas e voltar-se para o desenvolvimento pessoal dos estudante.

Os talentos de cada estudante estão sendo respeitados? Os alunos são capazes de serem gentis e ajudar os outros? Estas são algumas das questões que o país pretende solucionar.

"As notas acadêmicas por si só não refletem que tipo de pessoa as obteve. O mundo do futuro, que vai ser muito mais complicado, muito mais imprevisível e fluido, vai exigir um nível de maturidade socioemocional para que ele possa lidar com imprevisibilidade", detalha o professor Saravanan Gopinathan, da Universidade de Cingapura (NUS)

"A preocupação é: como asseguramos que as crianças sejam indivíduos diferentes, que sejam vistas como tendo certas preferências, talentos e ansiedades? Como os professores entendem isso e como o currículo e como a pedagogia refletem essa mudança que precisamos fazer?", acrescenta Gopinathan.

Capacidades socioemocionais

O papel dos professores também é destacado no processo de dar um salto qualitativo na educação.

"Nenhum sistema educacional pode ser melhor que os seus professores e, por isso, passamos muito tempo pensando em como selecionar os professores, como prepará-los e como fazer com que eles se aperfeiçoem e vejam a carreira docente como uma carreira para a vida," afirmou.

Voltar o ensino para capacidades socioemocionais é algo que tem sido feito em várias partes do mundo. A própria Base Nacional Comum Curricular (BNCC), aprovada pelo Brasil em 2017 para o ensino infantil e fundamental e, em 2018, para o ensino médio, prevê que, em todo o período escolar, sejam desenvolvidas, além de capacidades acadêmicas, também habilidades socioemocionais.

Até o momento, contudo, o governo federal e seu confuso Ministério da Educação, imerso em discussões improdutivas, ainda não adotaram qualquer medida para implementação do BNCC.

Cingapura, ao tratar dessas questões, mantém-se alinhada ao que está sendo debatido no restante do mundo e talvez, mais uma vez, posicione-se entre os melhores também nesse quesito.

Cingapura, que até a década de 1960 era um país em desenvolvimento, hoje é considerado desenvolvido, tendo atingido o status de melhor lugar do mundo para se fazer negócios, com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os países asiáticos e o 11º melhor do mundo.


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