20/05/2019

Cientista brasileira desenvolve caneta que identifica câncer

Com informações de Thainara Oliveira/UFBA
Cientista brasileira desenvolve caneta que identifica câncer
Teste simulado da caneta que detecta células de câncer em tempo real.
[Imagem: Vivian Abagiu/University of Texas at Austin]

Coisa de gênio

A cientista brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, formada em Química pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), inventou um novo aparelho médico, uma espécie de caneta, que identifica células cancerosas.

Todo o desenvolvimento do aparelho foi feito nos Estados Unidos (EUA), onde a cientista reside há dez anos, desde que se mudou para cursar o doutorado na Universidade do Texas em Austin.

O instrumento sinaliza a presença de células cancerosas em poucos segundos, tendo apresentado ótimos resultados ao ser utilizado em centenas de amostras extraídas de tecido humano.

Lívia conseguiu destaque na comunidade científica nos Estados Unidos ao ser uma das selecionadas para receber a prestigiada bolsa da Fundação MacArthur, conhecida como "bolsa dos gênios" e destinada a profissionais com atuação destacada e criativa em sua área.

Ela retornou ao Brasil para expor sua pesquisa no congresso "Próximas Fronteiras para Curar o Câncer", que aconteceu neste final de semana no A.C. Camargo Center, na cidade de São Paulo.

Caneta para identificar câncer

Batizada de MacSpec Pen, a caneta comprova, durante uma cirurgia oncológica, que todo o tecido tumoral foi removido do corpo do paciente, já que nem sempre é possível visualizar a olho nu a extensão limitante da área cancerosa e o tecido saudável. Atualmente, essa análise é feita por um patologista que leva em torno de 30 a 40 minutos para verificar - durante a cirurgia, com o paciente exposto a riscos cirúrgicos - se todo o tumor foi retirado.

O dispositivo portátil identifica o perfil molecular dos tecidos usando uma análise de gotículas de água e espectrometria de massa de pequeno volume. Após 3 segundos de contato físico suave com uma superfície de tecido, a gotícula de água é transportada para um espectrômetro de massa, que caracteriza as proteínas de diagnóstico, lipídios e metabolitos.

Com a utilização de inteligência artificial, usando um algoritmo de aprendizado de máquina, um diagnóstico é fornecido com uma probabilidade associada de presença de câncer.

"Na primeira fase da pesquisa analisamos mais de 200 amostras de tecido humano e verificamos uma precisão de identificação do câncer de 97%", afirmou a cientista, que estima que ainda deve demorar de 2 a 3 anos para que a caneta seja lançada como um produto, desde que os resultados obtidos em laboratório se confirmem nos testes clínicos em andamento.


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